A resposta curta

Uma classificação de risco, ou rating, é a opinião de uma agência sobre a capacidade de um devedor de pagar o que deve. Ela é escrita com letras: AAA no topo, D quando já houve um calote.

Serve para comparar o risco de crédito de um título com o de outro. Não é garantia de pagamento nem recomendação de compra, e não diz nada sobre o preço.

O que uma nota mede

A SEC, o regulador de valores mobiliários dos Estados Unidos, define o rating como uma avaliação da capacidade de uma entidade de pagar as suas obrigações financeiras. Ele se aplica a títulos de dívida e também a empresas e governos. Não se aplica a ações.

É uma ordem relativa. Segundo o mesmo boletim, a agência considera que um devedor com nota alta tem menos probabilidade de deixar de pagar do que um com nota mais baixa. Ela não diz quanto menos.

Quando o devedor é um país, fala-se em rating soberano. O Tesouro Nacional o descreve como uma nota sobre a capacidade e a disposição de um país de honrar, pontual e integralmente, o serviço da sua dívida.

A escala, de AAA a D

Cada agência define os próprios símbolos. A SEC descreve uma escala típica que vai de AAA, a nota mais alta, a D, que indica inadimplência. A CNMV, o regulador do mercado de valores mobiliários da Espanha, dá os primeiros degraus: AAA, AA, A, BBB.

Nessa escala há uma linha que importa mais do que as outras. Segundo a SEC, algumas agências distinguem grau de investimento de grau especulativo, e traçam a fronteira entre BBB e BB: de BBB- para cima é grau de investimento; abaixo, não.

O Tesouro Nacional usa a mesma fronteira e mostra a equivalência com a outra notação usual: o grau de investimento vai de AAA ou Aaa até BBB- ou Baa3.

Como ler uma escala típica de ratings, segundo a SEC e o Tesouro Nacional
NotasComo se chama a faixaO que quer dizer
AAA, AA, A e BBB, até BBB-Grau de investimentoA agência vê um risco de crédito mais baixo
BB e as que vêm abaixoGrau especulativo, ou de alto rendimentoA agência vê um risco de crédito mais alto
DInadimplênciaO devedor não pagou

O que uma nota não é

O boletim da SEC dedica uma seção inteira a isso. São cinco limites.

  • Não é garantia. Uma nota AAA não significa que você sempre vai receber: a SEC diz que instrumentos com essa nota às vezes deixam de pagar.
  • Não é conselho. Não deve ser lida como recomendação de comprar, vender ou manter um título.
  • Não fala do preço. Não considera a que preço o título é oferecido, nem reflete o risco de mercado ou o de liquidez.
  • É uma opinião. Apoia-se nos modelos, nas premissas e no julgamento de cada agência, que podem não coincidir com os seus nem com os de outra agência.
  • Pode mudar a qualquer momento e sem aviso. Algumas agências publicam perspectivas e revisões para antecipar mudanças, mas elas nem sempre chegam antes.

Quem dá as notas, e quem paga por elas

Nos Estados Unidos, as agências registradas na SEC são chamadas de NRSRO. A lista atual tem onze. O Tesouro Nacional informa que o Brasil tem contrato com três agências para a classificação do seu risco de crédito: Fitch, Moody's e Standard & Poor's.

Registrada não quer dizer endossada. A SEC esclarece que o registro não é um aval à agência nem às notas dela. Ela supervisiona e examina as agências, mas a lei não lhe permite regular o conteúdo dos ratings nem as metodologias.

Há um conflito de interesses à vista. Segundo a SEC, muitas agências, inclusive as maiores, são pagas pelos próprios devedores ou emissores que avaliam. Isso pode empurrar para notas mais favoráveis. Outras são pagas pelos investidores assinantes, que também têm interesses. As agências registradas são obrigadas a divulgar esses conflitos e a ter políticas para lidar com eles.

Para que serve, então

Para entender por que dois títulos pagam taxas diferentes. A CNMV resume: dos emissores com menos solidez financeira, isto é, com rating pior, costumam ser exigidos rendimentos mais altos, para compensar o risco maior. Uma taxa mais alta não é um presente: é o preço desse risco. O guia de preço e taxa de juros explica como os dois se movem juntos.

Também para entender alguns movimentos bruscos. O Tesouro Nacional explica que ter grau de investimento habilita novas classes de investidores a comprar os papéis de um país, como os fundos de pensão estrangeiros, que têm restrições para aplicar em países com grau especulativo. Cruzar essa linha, em um sentido ou no outro, muda quem pode comprar.

A SEC sugere olhar mais de uma agência, porque elas podem ter opiniões diferentes, e usar as notas como complemento da sua própria análise, não como substituto.

A nota é do governo, não do token

Um rating soberano fala do país que emitiu a dívida. Se o que você tem é um token lastreado em títulos públicos, existe uma camada a mais, e essa nota não a cobre.

O guia da Lex diz assim: com um token, você deixa de ser credor direto do governo. Passa a depender do emissor do token e dos custodiantes, além do governo, e por isso os documentos do emissor passam a fazer parte do que você tem.

O guia de título direto ou token mostra o que muda entre uma forma e a outra.

Os riscos que ficam de fora

A SEC repete isso no fim do boletim: os ratings tratam só do risco de crédito. Não tratam do risco de liquidez, do risco de taxa de juros ou de mercado, nem do risco de pagamento antecipado.

Um título com a melhor nota pode perder valor se os juros subirem. Isso é medido pela duration. E um título em outra moeda pode render menos do que o esperado, ou mais, por causa do câmbio, que também não entra na nota. Esse é o assunto do guia de título em outra moeda.

Cinco perguntas diante de uma nota

Servem para um título, um fundo ou um token.

  • Que agência deu a nota, e de que data ela é?
  • A nota é do país, de uma emissão específica ou de quem emite o token?
  • Ela tem perspectiva negativa ou está em revisão?
  • O que dizem as outras agências?
  • Que riscos ela não cobre: juros, moeda, liquidez?

O que esta página não faz

Lemos o boletim da SEC, a lista de agências registradas, as perguntas frequentes do Tesouro Nacional e o glossário da CNMV em 13 de outubro de 2026. O boletim é de 2017 e descreve o mercado dos Estados Unidos. Não lemos as definições de cada agência: os símbolos e as nuances são fixados por cada uma.

Não publicamos a nota atual de nenhum país, porque elas mudam. Consulte na agência ou no Tesouro do país, com a data. Não ordenamos as agências nem dizemos que nota basta para investir. Esta página não é recomendação.

Fontes

  1. SEC — boletim para investidores «The ABCs of Credit Ratings», atualizado em 12 de outubro de 2017
  2. SEC — agências de classificação de risco registradas atualmente (NRSRO)
  3. Tesouro Nacional — perguntas frequentes: classificação de risco
  4. CNMV (Espanha) — glossário financeiro: rating
  5. Lex — como investir em títulos públicos: Tesouro Direto, CETES e Treasuries

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